O conceito moderno de resort não surgiu em um único local ou momento, mas resultou de um longo processo histórico ligado à evolução das cidades termais europeias entre os séculos XVI e XIX. A partir da redescoberta e valorização de fontes minerais de origem romana, diversas localidades passaram a atrair visitantes não apenas por motivos médicos, mas também sociais e culturais.
Um dos exemplos mais emblemáticos é Bath, na Inglaterra. Reconhecida desde a Antiguidade por suas águas termais, a cidade ganhou novo protagonismo no século XVIII, quando passou a receber membros da elite britânica que ali se hospedavam por longas temporadas para “tomar as águas”, frequentar bailes, concertos e encontros sociais. Esse modelo de estadia prolongada, que integrava saúde, lazer e sociabilidade, antecipou características centrais do que hoje se entende como resort.
As Termas Romanas de Bath, preservadas como sítio arqueológico, permanecem abertas à visitação e integram o conjunto urbano reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO. Por seu caráter histórico e de conservação, o complexo não é utilizado para banhos, embora a cidade conte atualmente com spas modernos que utilizam águas termais de forma controlada.
Ao longo do século XIX, outras cidades europeias consolidaram esse mesmo padrão. Destinos como Karlovy Vary, Baden-Baden e Vichy foram planejados em torno de fontes minerais, com infraestrutura que incluía hotéis, parques, teatros e cassinos, voltados a um público que buscava bem-estar, entretenimento e distinção social. Esse conjunto de localidades ficou conhecido como as “Grandes Cidades Termais da Europa”, reconhecidas pela UNESCO como expressão máxima do turismo de spa entre aproximadamente 1700 e a década de 1930.
Nos Estados Unidos, um dos exemplos mais antigos deste modelo é White Sulphur Springs, na atual Virgínia Ocidental. Desde o fim do século XVIII, visitantes eram atraídos pelas propriedades medicinais das fontes sulfurosas locais. Ao longo do século XIX, o destino evoluiu para um centro de veraneio estruturado, culminando, em 1913, na construção do edifício principal, o The Greenbrier, que consolidou o formato de resort de luxo integrado à natureza, com hospedagem, lazer e atividades recreativas.
Assim, o resort moderno não se define pelo aparecimento de um “primeiro hotel”, mas pelo momento em que viajar deixou de ser uma necessidade prática e passou a ser uma experiência planejada de descanso, saúde e prestígio, em cidades e propriedades concebidas especificamente para receber viajantes em busca de prazer e bem-estar.



