Carnaval não tem prompt (por Daniel Branco)

Essa sexta começa o Carnaval. Talvez a verdadeira festa brasileira. Não pelo tamanho, pela duração ou pelo barulho. [...]

Essa sexta começa o Carnaval.

Talvez a verdadeira festa brasileira.
Não pelo tamanho, pela duração ou pelo barulho.
Mas pelo jeito como ele acontece.

Carnaval é improviso. É fluxo.
É decisão tomada em movimento.

E isso diz muito sobre como o brasileiro lida com quase tudo.
Inclusive com a Inteligência Artificial.

Ninguém recebeu manual. Ninguém fez curso.
Ninguém esperou entender como funciona.

Apareceu um aplicativo novo.
Um botão. Uma resposta rápida.

E o brasileiro foi usando.

Durante o Carnaval, isso fica ainda mais evidente.

A IA não vira ferramenta estratégica.
Vira companhia.

Alguém pergunta se vai chover.
Outra pergunta se aquele bloco vale a pena.
Outro pergunta se misturar isso com aquilo dá problema.
Tem aquele que só quer confirmar uma decisão que já tomou.

Não importa tanto se a resposta está certa.
Importa se ela ajuda a seguir andando.

A IA entra como oráculo temporário.
Não para decidir por ninguém.
Mas para dar conforto à escolha que já estava feita.

E isso é muito brasileiro.

Carnaval é, por definição, suspensão de regra.
Do horário. Do julgamento.
Do planejamento excessivo.

É saudável. É necessário.

Por alguns dias, errar faz parte.
Exagerar também.
Decidir mal, às vezes, é parte da experiência.

O curioso é perceber como a IA se encaixa nisso com naturalidade.
Não como promessa de controle.
Mas como suporte ao improviso.

Ela não organiza o Carnaval.
Ela acompanha.

E talvez aí esteja uma diferença importante entre o discurso sobre IA e o uso real que as pessoas fazem dela.

Enquanto o mercado vende eficiência, otimização, planejamento perfeito…

…o brasileiro usa para seguir o fluxo.

Para confirmar.
Para tirar a dúvida.
Para continuar.

Sem muita cerimônia.
Sem ter que pensar muito.

O risco não está no Carnaval.
O risco está quando esse modo de operar vira padrão o ano inteiro.
Quando a resposta rápida substitui o pensamento.
Quando o conforto vira hábito.

Mas durante o Carnaval, talvez esteja tudo bem.

Nem toda decisão precisa ser perfeita.
Nem todo uso precisa ser consciente.
Nem todo momento pede profundidade.

Algumas experiências pedem presença.
Outras pedem improviso.
Outras só pedem seguir andando.

Carnaval não tem prompt.
E talvez seja exatamente por isso que funcione tão bem.

Depois, na quarta-feira, a gente volta.
Pensar com mais cuidado é outra decisão.

Daniel Branco
Ser humano, Economista
Empreendedor e Mentor
Especialista em IA Aplicada

Compartilhe esse artigo: