COLUNA RONALDO HERDY

Biodiesel na frigideira: Europa mira soja do Mercosul e poupa a própria canola

O biodiesel brasileiro acordou com gosto de fritura velha na boca. Em Bruxelas, sempre muito preocupados com o futuro do planeta – e muito zelosos com o próprio quintal – burocratas da União Europeia resolveram reaquecer uma velha panela regulatória chamada ILUC, a tal “Mudança Indireta do Uso da Terra”.

Traduzindo do eurocratês: querem ampliar os critérios de “alto risco” para restringir a importação de combustíveis feitos a partir de alimentos. No pacote, entra a soja. A brasileira e, também, a argentina e a americana. O mesmo grão que sustenta boa parte do biodiesel fora da Europa.

Curiosamente, ficam de fora a canola – cultivada dentro do bloco – e outras matérias-primas mais… digamos… domésticas. O óleo de palma já tinha sido colocado no “lixo ambiental”. Agora, a ação visa pôr na soja o selo de vilã climática. Coincidência? Claro que não!

Fontes do setor avaliam que a bordoada pode sair ainda este ano. Se isso ocorrer, será um golpe duro em produtores do Mercosul e dos Estados Unidos. E mais um capítulo daquela resistência silenciosa, mas persistente, de alguns países europeus ao acordo de livre comércio com o Mercosul.

Por via das dúvidas – e da irritação – empresas brasileiras já falam em recorrer à Organização Mundial do Comércio. Afinal, quando a regra muda sempre contra o mesmo lado, o cheiro não é de sustentabilidade. É de protecionismo bem temperado.

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