COLUNA RONALDO HERDY

A culpa não atraca sozinha

Os ataques de pelanca de donos de transportadoras, executivos de multinacionais e figurões do agronegócio diante do caos para descarregar grãos, no início da safra, no Porto de Miritituba, no Pará, até rendem manchete. Mas erram o endereço quando escolhem como vilões os órgãos do Governo Federal, especialmente a ANTAQ e a ANTT.

Há culpa no cartório – e não é pequena. Trading companies e produtores agrícolas têm preferido não investir na construção de novos silos. Resultado: quando as unidades lotam com a colheita recém tirada do campo, o improviso vira método. Os grãos são despejados em caminhões (que se transformam numa espécie de depósitos sobre rodas) e enviados em massa pelos corredores agrícolas rumo ao terminal. A confusão, claro, vem junto.

O roteiro é velho e o aprendizado, nenhum. Bastaria olhar para Santos e Paranaguá. Décadas atrás, diante do mesmo gargalo, setor público e iniciativa privada engoliram o discurso fácil e deram as mãos. Funcionou.

Um dos remédios foi simples e eficaz: sistema rígido de agendamento. Só entra no porto quem tem dia e hora marcados. Quem chega sem convite, ou acima da capacidade combinada, é multado e mandado fazer o caminho de volta.

Não é perseguição ideológica. É logística. E, nesse jogo, quem não se organiza não pode reclamar do engarrafamento que ajudou a criar.

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