O fechamento da Fate na semana passada, a maior fabricante de pneus da Argentina, com cerca de mil demissões sumárias, fez eco do lado de cá da fronteira. E trouxe de volta uma pergunta que estava na gaveta: onde foi parar a fábrica de pneus prometida para o Guaíba, no Rio Grande do Sul?
O projeto nasceu com pompa binacional, em 2011. A empresa argentina entraria com a tradição e algum dinheiro. A gaúcha Vipal, com um desembolso de cerca de US$ 100 milhões, ficou com 49% do negócio. A meta era ambiciosa: 6,5 mil pneus radiais de passeio e 600 agrícolas, por dia, a partir de 2013. Quase 15 anos depois, não saiu nem um pneu de carrinho de mão.
O CAPABRASIL perguntou. A Vipal preferiu o silêncio. Quando uma empresa evita o assunto, normalmente é porque tem caroço nesse angu. Quem também ficou no prejuízo foi o governo gaúcho. Doou terreno, fez infraestrutura básica, redesenhou o distrito industrial. Enfim, preparou a pista. Só faltou o carro.
O cenário ajuda a explicar o fiasco. Metade do mercado brasileiro já é abastecida por pneus asiáticos, principalmente chineses. Competir com preço de fábrica do outro lado do mundo exige escala, capital e apetite para risco. Nada disso está sobrando no Cone Sul – e em muitas outras partes do planeta. Hoje, em vez de inauguração, fala-se em fechamento. O investidor pisa no freio. O consumidor no acelerador, porém, olhando muito para o preço do produto.



