A guerra fanático contra fanático (por Eduardo Fernandez Silva)

Fanático é quem “se mostra excessivamente entusiasmado, exaltado, tendo uma devoção cega a [...]

Fanático é quem “se mostra excessivamente entusiasmado, exaltado, tendo uma devoção cega a determinada causa”; aquele/a que “se acredita inspirado pelo espírito divino, iluminado.” Na mais perigosa das guerras atuais – pelos riscos que traz, pelos efeitos já causados e que ainda pode gerar – temos fanáticos brigando contra fanáticos.

A imprensa ocidental, em sua maioria, acusa os aiatolás de fanatismo e responsabiliza essa visão exaltada pelo conflito e mortes decorrentes. Mas, sem necessidade de lupa, Trump, Netanyahu e asseclas são também fanáticos.

Se a fé religiosa pode ter enlouquecido aiatolás, também a religião – como é o caso do secretário da guerra dos EUA -, mas, principalmente, a idolatria ao dinheiro e ao poder, e o ódio a quem é diferente, o descaso com leis nacionais e internacionais, entre outros, retiraram o juízo dos dirigentes ocidentais citados.

Entre as características do fanático está ficar cego a fatos, acreditando apenas no que convém ao seu fanatismo. É o que dizem muitos sobre os dirigentes do Iran. Ocorre que o negacionismo de Trump quanto ao clima, de seu secretário da saúde sobre vacinas, do seu associado sobre a supremacia judaica, entre outros, ilustra que negar fatos é prática corrente dos atuais dirigentes norte-americanos-israelitas. E os genocidas que dirigem Israel querem nos fazer crer que eles matam apenas terroristas, enquanto seus inimigos só inocentes!

A visão enviesada, que só crê no que dizem os crentes, está segura de que sua enorme força militar – à custa do bem-estar dos humanos! – é uma invencível armada, como imaginou o rei de Espanha Felipe II, em 1588! Esquece evidências recentes como Vietnam, Iraque, Afeganistão e outros desastres decorrentes do fanatismo e sua decorrente arrogância!

Os fanáticos acreditam tanto em seus devaneios que não foram capazes de perceber que o Iran difere da Venezuela.

Não cabe defender os dirigentes do Iran: a brutal e mortífera repressão a opositores e o que reservam às mulheres encharcam de sangue suas mãos, sempre guiadas, pelo que dizem, para a glória de Deus. Para o governo Trump/Netanyahu não há leis a proteger imigrantes e palestinos, e o secretário da guerra Pete Hegseth afirma, reiteradamente, que a sua guerra é dirigida por Deus, que o DNA de seu país é cristão, e que os seus são guerreiros armados com o arsenal da liberdade e da fé”. Fanáticos X fanáticos, enquanto 80% da população do planeta sofre e é distraída por um voo à Lua…

Os fanáticos, de ambos os lados, acreditam em miragens e fantasias e negam fatos. Manipulam. No caso do Trump, suas idas e vindas, ditos e destidos, talvez sejam explicadas como manipulação dos mercados. Há evidências de que seu secretário da guerra, pouco antes dos ataques ao Iran, tentou comprar milhões em ações de empresas que lucram com guerras. E o sobe e desce das bolsas e commodities em razão das falas do presidente Trump?

Inocentes, dos dois lados, ou fanáticos por fé, ideologia, dinheiro e autopromoção, à custa do bem-estar de todos? Como consertar o regime político que permite tais barbaridades?

Eduardo Fernandez Silva é Mestre em Economia pelo Institute for Social Studies da Universidade de Hague. Foi Diretor da Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados. Autor.

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