
Temendo um desses foguetes do Trump e destinados ao Irã acabar por se desviar e vir irado cair em meu telhado, me lembrei como sempre de Minas Novas e suas doidas e verídicas histórias:
Zé Gurdurinha era, ao contrário do que sugeria o seu apelido, magro que nem um canzil, mas certa tarde resolveu abrir com um maçarico um tambor de ferro de duzentos litros, ainda porém com resíduos de gasolina em seu bojo.
Nuh, pois foi uma explosão tão violenta, a ponto de ser ouvida por todos os cantos de Minas Novas, e o tambor subiu com Zé montado nele, e só não ganhou o espaço sideral, feito um foguete espacial, porque esgarranchou no beiral do telhado da casa do carcereiro Antônio Domingues, onde Zé ficou por minutos pendurado.
Zé desceu todo espandongado e relapado, mas foi socorrido por Fia, filha do carcereiro. Fia jamais havia namorado ou beijado, mas ali surgiu a sua oportunidade, pois ela resolveu fazer uma respiração boca a boca em Zé e que nem havia se afogado, nem estava desacordado por falta de ar!
E foi a oportunidade de ouro que o carcereiro, balangando nas fuças do pobre Zé o molho de chaves da cadeia, achou para desencalhar a sua filha Fia:
⁃ Zé, ou ocê casa logo com a minha menina ou vai ser por mim trancafiado!
Que rabo de foguete se meteu o meu querido amigo Zé Gurdurinha, pois ele dizia que teria sido melhor ter ido pro espaço feito Gagarin do que ter se casado com aquela “belezura” de muié!
É o que dá as guerras, mesmo as guerras frias, pois era tempo da GUERRA FRIA, que Zé entendia por GUERRA FIA, FIA DE SEU SOGRO ANTONIO DOMINGUES, KKK!!!
Carlos Mota Coelho é Escritor. Foi Deputado Federal e Procurador Federal. Autor de vários livros.



