
Quando a vida falta, o coração para, cessa tudo e a esperança acaba, fazemos a encomendação, homenagem ao morto e o conduzimos contritos e tristes à sua última morada. Alguns recebem discursos e honrarias, suas vidas são celebradas, o que sensibiliza, consola e alenta famílias. No cemitério, onde o silencio impera, o mausoléu acolhe e finda uma história, adormece tudo que antes era projeto, ação, vibração e esperança.
Este funéreo introito tem a intenção de alertar para a importância de que, dias após dias, meses e anos, estarmos a matar projetos de obras públicas do país, sonhos e esperança da população. Verdade que algumas desnecessárias, sejam elas municipais, estaduais, federais, conveniadas ou não, sempre inacabadas, financiadas com o dinheiro público. Um verdadeiro cemitério de obras, mortas por gestores, construtores e intermediários irresponsáveis, além de desonestos.
Tive a curiosidade de pesquisar alguns sites, disponíveis a todos os cidadãos, para conhecer melhor o que sempre ouvi de vozes anônimas, opositoras ou não, a respeito do absurdo de se jogar dinheiro público pelo ladrão. Perdão, pelo ralo.
Está no site do Tribunal de Contas da União: “TCU aprovou relatório de auditoria que avaliou o cenário e a evolução da situação das obras paralisadas no país, financiadas com recursos da união. O documento aponta redução significativa do número de obras informadas pelo poder executivo, o que revela fragilidade nos bancos de dados do governo federal. Enquanto em 2018 foram levantados mais de 38 mil contratos, o atual diagnóstico totaliza apenas 27 mil. “Ou seja, mais de onze mil obras desapareceram dos bancos de dados consultados”, destacou o Ministro do TCU Vital do Rego, relator do processo.”
Ou será que estas obras foram concluídas? Não é o que parece.
Tanto assim que no portal do FNDE – Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação, do Ministério da Educação, registra a publicação da resolução número 3, autorizando a pactuação de novos termos de compromissos, com entes federados, para a nova gestão e término de obras inacabadas.
Neste ato não está prevista a atuação divina, nem dos pastores, o que fica ainda mais difícil saber se milagres aconteceram.
Pesquisei sobre obras inacabadas do estado de Minas Gerais e de suas principais cidades, sem sucesso. Alguns exemplos, porém, podem ser citados sem medo de errar – Ferrovia do Aço, hospitais regionais, obras de saneamento, escolas e suas reformas, estradas esburacadas ou sem manutenção e outras mais, que ao longo de décadas estão abandonadas.
Ainda temos o chamado passivo futuro, ou seja, aquelas urgentes reformas e restaurações que são feridas pelo tempo, a multiplicar seus custos na recuperação. Um belo mau exemplo é o Instituto de Educação de Minas Gerais, na rua Pernambuco, em Belo Horizonte. Seu estado deplorável mostra o descaso com nosso patrimônio, uma instituição que deveria ser o centro de referência da educação, outrora orgulho dos mineiros. Quem quiser comprovar vá lá e faça uma visita, se puder faça uma prece, antes que ele acabe, sem honra nem gloria, numa morte anunciada.
Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor



