O sinal do espaço que revelou os pulsares e reacendeu o debate sobre reconhecimento na ciência

Em 1967, a então estudante de doutorado Jocelyn Bell Burnell analisava dados de um radiotelescópio na Universidade de Cambridge quando percebeu algo incomum: [...]

Em 1967, a então estudante de doutorado Jocelyn Bell Burnell analisava dados de um radiotelescópio na Universidade de Cambridge quando percebeu algo incomum: sinais de rádio extremamente regulares vindos do espaço. O padrão repetia-se com precisão surpreendente e não se parecia com nenhum fenômeno conhecido na época.

A regularidade dos pulsos era tão estranha que, por um breve período, a equipe de pesquisa chegou a apelidar o sinal de LGM-1, sigla para “Little Green Men”, numa referência bem-humorada à possibilidade remota de uma origem artificial. A hipótese foi descartada quando outros sinais semelhantes foram encontrados em diferentes regiões do céu.

Os cientistas logo perceberam que haviam identificado algo novo: os primeiros pulsar, estrelas de nêutrons extremamente densas que giram rapidamente e emitem feixes de radiação detectados na Terra como pulsos regulares. A descoberta confirmou previsões teóricas sobre esses objetos e abriu um novo campo de pesquisa na astrofísica.

O estudo foi publicado em 1968 na revista Nature, com o orientador de Bell Burnell, Antony Hewish, como primeiro autor. Em 1974, o Nobel Prize in Physics foi concedido a Hewish e ao radioastrônomo Martin Ryle, pela descoberta dos pulsares e pelo desenvolvimento da radioastronomia, decisão que gerou debates na comunidade científica por não incluir Bell Burnell.

Décadas depois, sua contribuição recebeu amplo reconhecimento. Em 2018, Bell Burnell foi homenageada com o Breakthrough Prize in Fundamental Physics, um dos prêmios mais prestigiados da área. Ela decidiu doar todo o valor recebido para financiar bolsas destinadas a estudantes de grupos sub-representados na física.

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