A guinada à direita na Bolívia, com Rodrigo Paz no poder desde 8 de novembro passado, já começa a mexer não só no discurso, mas no tanque de combustível. O novo governo decidiu pedir conselhos ao vizinho ideologicamente afinado, Santiago Peña, para tentar dar fôlego ao combalido programa boliviano de biocombustíveis. Ironia das ironias: o modelo que agora precisa de revitalização nasceu embalado na experiência do Brasil, que compartilhou tecnologia agrícola e know-how para a montagem de plantas de biodiesel com selo de energia limpa.
Enquanto circulam boatos na Bolívia sobre o possível fim da mistura obrigatória de etanol na gasolina – hoje entre 8% e 12% – que o governo de Rodrigo Paz nega, a desconfiança cresce na mesma proporção das críticas à qualidade do combustível vendido nos postos. O consumidor, como sempre, é quem testa o experimento no próprio motor.
Para tentar organizar a casa, La Paz enviará uma missão ao Paraguai até o fim do mês. Oficialmente, para trocar experiências e melhorar a política de biocombustíveis. Na prática, para descobrir por que a engrenagem do vizinho parece funcionar melhor.
Curioso ainda é o timing: dias atrás, empresários brasileiros estiveram na Bolívia sondando parcerias com produtores de etanol. O jogo energético virou um tabuleiro diplomático. E, no fim das contas, a ideologia pode até mudar – mas, se o combustível não presta, o carro não anda.



