Entre o Entrudo e o Samba: A Construção do Carnaval no Brasil

O Carnaval brasileiro tem raízes profundas na Europa medieval. Antes de chegar ao Brasil, a festa estava ligada a celebrações populares realizadas na véspera da Quaresma, período de [...]

O Carnaval brasileiro tem raízes profundas na Europa medieval. Antes de chegar ao Brasil, a festa estava ligada a celebrações populares realizadas na véspera da Quaresma, período de jejum e penitência da Igreja Católica. Nessas comemorações, eram comuns os excessos de comida, bebida e dança, além da inversão temporária de papéis sociais, do uso de fantasias e do humor satírico que zombava da ordem estabelecida.

Com a colonização portuguesa, uma dessas tradições europeias atravessou o oceano: o Entrudo. Introduzido no Brasil a partir do século XVI, o Entrudo consistia em brincadeiras de rua, nas quais as pessoas jogavam água, farinha e outros elementos umas nas outras. A prática se espalhou rapidamente, tornando-se a principal forma de celebração carnavalesca no período colonial.

Ao longo do século XIX, o Entrudo passou a ser combatido pelas autoridades, que o consideravam violento e desorganizado. Paralelamente, surgiram formas mais estruturadas de festejar o Carnaval, como bailes de máscaras inspirados na Europa e desfiles de cordões e ranchos carnavalescos, marcando a transição da festa para um modelo mais urbano e organizado.

Nesse processo, a influência das culturas africanas foi decisiva para moldar o Carnaval brasileiro. Ritmos, danças e expressões corporais trazidas pela população negra transformaram a celebração, afastando-a de suas origens exclusivamente europeias e dando-lhe uma identidade própria, marcada pela música e pela ocupação coletiva das ruas.

No início do século XX, o surgimento do samba e das primeiras escolas de samba consolidou essa transformação. O Carnaval passou a se organizar em desfiles e competições, espalhando-se pelo país com características regionais diversas. Hoje, a festa é reconhecida como um dos maiores símbolos culturais do Brasil, resultado da fusão entre tradições europeias, africanas e populares ao longo de sua história.

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