Geraldo Alckmin ficou com aquela expressão de quem prometeu cafezinho feito na hora e serviu água morna. Na terça-feira, o vice-presidente e ministro jurou, com todas as letras – e até em gravação – que o governo baixaria uma medida provisória para socorrer a indústria química, setor que sangra há anos no Brasil. “É estratégico, vamos apoiar”, disse, solene em reunião com empresários, sindicalistas e políticos com interesse no assunto.
Mas o anúncio de uma MP virou em 24h um projeto de lei complementar. Tradução simultânea: nada de urgência, nada de canetada. É o tipo de proposta que entra no Congresso com data de nascimento conhecida e expectativa de vida indefinida.
O resultado foi um mal-estar generalizado. Empresários torceram o nariz, sindicalistas perderam a paciência e políticos (sobretudo da Baixada Santista) interessados em salvar um setor que já eliminou cerca de 7 mil empregos em 25 anos ficaram se perguntando quem puxou o freio de mão.
Alckmin, que vendeu pressa e entregou burocracia, saiu chamuscado. E ninguém tem dúvida: esse incêndio tem mais cara de fogo amigo do que de acidente.



