#DiaDaSaudade (por Palowa Mendes)

Hoje (30 de janeiro) é oficialmente o Dia da Saudade. E fiquei a cismar sobre isso. Acho que a minha Saudade não entenderia, mesmo que [...]

O dia 30 de janeiro é oficialmente o Dia da Saudade.

E fiquei a cismar sobre isso. Acho que a minha Saudade não entenderia, mesmo que eu explicasse, por que existe um dia para ela. Até porque eu também não entendo.

A minha Saudade passeia comigo pela minha infância, lembra-me cheiros, sons, risos e olhares — principalmente daqueles cujos rostos o tempo desfocou na memória; leva-me até as casas cheias de afeto dos meus avós e, com ela, ouço risadas, conversas altas e sinto gostos deliciosos.

Ela me faz olhar para o meu mundo de ontem enquanto construo o meu mundo de agora, mirando o futuro. Me faz ouvir Gonzaguinha, Rita, Milton, Elis, Clara, Tom, Lô, Lennon; ler Cora, Clarice, Drummond, Neruda, Mia enquanto espero novidades de Chico, Djavan, Marisa, Betânia, Gadu, Fito. Mostra-me os rostinhos dos meus bebês enquanto dormiam e revela-me quão lindos são agora.

Com ela, me vejo menina, jovem inquieta e questionadora, e encontro a mulher que sou. Leva-me até o colo dos meus pais, para que eu possa ser o colo deles hoje. Com ela, visito amizades no tempo e vivencio as preciosas que tenho agora. Às vezes, ela me entende triste por aqueles que se foram, mas me desperta para todos os que estão comigo aqui e agora.

E sussurra todos os dias que só existe porque vivi, porque caminhei, porque valeu a pena  ̶  que é a presença do amor vivido.

Minha amiga Saudade, obrigada!

Palowa Mendes é Advogada, Ambientalista, Militante Social, e Assessora Parlamentar


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