
O Campeonato Brasileiro nem bem começou e também começou a fase em que o torcedor se irrita ao buscar opções sobre como (e em qual canal) assistir aos jogos pela televisão. E o problema vai se agravar mais ainda quando chegar a época – que está bem próxima – da Copa do Brasil, da Libertadores, Copa Sul-Americana e a Série B do Brasileiro.
Terá que ter paciência. Muita paciência. E olhem que estamos falando só de futebol, pois temos ainda nas tvs (abertas ou pagas) transmissões de vôlei, basquete, futebol americano, baseball, natação, boxe, MMA… e vai por aí.
Milhões de espectadores do esporte mais popular deste país, viveram os muitos anos do futebol transmitido com exclusividade e praticamente centralizado em uma poderosa rede de TV.
Era tudo confortável e bem fácil. Quando chegava a hora do futebol o cidadão se acomodava na poltrona diante do aparelho de televisão, cervejinha ao lado, e com apenas um clique… pronto, lá estava a imagem do seu jogo preferido.
Este modelo de futebol pela TV foi ficando caduco na medida em que o esporte, como um todo (e não poderia ser diferente) se viu envolto em uma profunda alteração estrutural, principalmente quanto aos conceitos de comercialização dos eventos.
Paralelamente, na medida em que as plataformas dos serviços de transmissão (nos canais abertos e fechados) expandiram suas ofertas, o cenário, quanto ao futebol pela TV, se viu fracionado e distribuído pela fartura dos canais que transmitem jogos. E que se expandem cada vez mais.
É exatamente neste ponto, o da distribuição desmembrada, repartida, fragmentada dos jogos pelos diversos canais (abertos e pagos) no Brasil, que reside uma justa reclamação dos amantes de futebol pela TV. E não é por causa das dezenas de canais que transmitem. Pelo contrário. É pela ausência da informação prévia, correta e frequente sobre como ele, torcedor, poderá tomar conhecimento antecipado dos canais (abertos ou fechados) que exibirão as partidas que deseja assistir. Este é o desafio.
No Brasileirão, Série A, eis o cardápio de transmissões: Globo e SporTV, até 8 jogos a cada rodada; Premier, 9 jogos por rodada; CazéTV, 1 jogo em cada rodada; Amazon Prime Vídeo, uma partida exclusiva por rodada.
A carga vai aumentar breve. Simultaneamente, teremos Brasileirão Série B, Copa Libertadores, Copa Sul-Americana e também mais canais: SBT, Band, ESPN, Disney+, Paramount, TNT, Nsports, SportyNet, Xsports.
Há outra questão séria. Nos sites de mídia esportiva, quem busca informações sobre transmissão de jogos pela TV no conhecido título “onde assistir”, vai encontrar, rotineiramente, indicações erradas, equívocos sobre jogos em canais e omissões lamentáveis.
Álvaro Cotta, renomado especialista em marketing esportivo no Brasil e diretor de marketing da Liga Nacional de Basquete (LNB), analisa o tema em recente artigo no Máquina do Esporte. Ao abordar os “Impactos da distribuição multiplataformas do esporte no Brasil”, ele aponta que “a variedade de plataformas também gera confusão… saber onde determinado jogo será transmitido se tornou parte da experiência do torcedor, muitas vezes de forma negativa”.
Como se tivesse voltado suas baterias diretamente para o pessoal do futebol, o artigo de Cotta aponta o desafio básico: “O principal risco do cenário atual não está na multiplicidade de plataformas, mas na ausência de coordenação”. E lembra que o papel de todos os envolvidos (ligas, clubes, entidades) não pode ser o de “apenas vendedores de direitos”.
É, caro torcedor, como as ligas do futebol brasileiro só pensam em vender direitos; como clubes, confederação e organizadores não se dispõem a ajudar; como as mídias esportivas se acomodaram com seus erros de informação, e também como as TVs jamais informariam sobre exibição de partidas das concorrentes, então você seguirá sem ajuda. E continuará se irritando para localizar os jogos do seu time pela televisão. E vai piorar, viu!?
Erasmo Angelo é Jornalista, formado em História e Geografia pela PUC/MG. Foi Redator e Colunista do Jornal Estado de Minas dos Diários Associados, e do Jornal dos Sports/Edição MG, cobrindo o futebol e esportes no Brasil e no Exterior, em Campeonatos Mundiais de Futebol e em Olimpíadas. Atuou destacadamente na TV e na Rádio, na TV Itacolomi, TV Alterosa, Rádio Itatiaia, Rádio Guarani e Rádio Mineira. Foi Presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, na administração do Mineirão e do Mineirinho. Foi Editor da Revista do Cruzeiro. Autor



