
Donald Trump, o mais novo braço armado de Zeus, a punir amigos, inimigos, pecadores ou adversários com guerras tarifárias, canhões e metralhadoras, faz ao presidente do Brasil um convite dos mais indigestos. Depois do cessar fogo da faixa de Gaza, com um frágil acordo de paz entre Israel, Palestinos, Hamas, Hezbollat e Irã, cria um ainda obscuro Conselho de Paz para cuidar da região. Tal Conselho será responsável para supervisionar um governo de transição, controlar o território palestino e reconstruir o que a guerra devastou. Notáveis do mundo inteiro são convidados a participar desta poderosa aliança, como se fosse uma ONU paralela. Sua proposta é reconstruir Gaza com ocupação civilizada, próspera, turística e acolhedora. Uma atração aos viajantes que a escolheriam para seu veraneio e passeios de lazer e entretenimento. Criou, no mínimo, um temor entre as 60 lideranças mundiais convidadas para o “Conselho de Paz” que poderia, no futuro, participar e atuar em outros conflitos internacionais. Ele, Trump, de acordo com o estatuto do conselho teria mandato vitalício, como presidente do grupo. Países que desejarem um assento permanente pagariam 1 bilhão de dólares, fundo a ser administrado pelo próprio Trump.
Lula, um justo alinhado da criação do estado da Palestina, sempre se oferecendo a ser mediador dos grandes conflitos mundiais, se manteve em silêncio obsequioso à ação terrorista do Hamas, Hezbollat e Irã contra o Libano e Israel, nunca se manifestando contra suas ações criminosas. A culpa sempre foi de Israel, um estado imperialista. Prometeu acabar com a guerra Ucrânia e Rússia, trazendo à mesa Putin e Zelensky, para uma cerveja amiga e acabar com suas pequenas diferenças. A cerveja esquentou. Sua posição política de manter-se sempre alinhado aos governos de esquerda, exemplo de Cuba, Venezuela, Irã e Rússia, faz do convite uma verdadeira saia justa, ou sinuca de bico. Se aceitar será visto como um vencido a ajudar os cruéis dominadores dos injustiçados palestinos e terroristas. Se não aceitar estará se opondo ao ardiloso e instável Trump, um mercurial presidente que navega ao sabor das incertezas, obcecado defensor do lema “A América grande novamente”, cujos projetos de domínio político incluem o Brasil, obviamente.
Lula está sem resposta, ainda pensando no que fazer, como no caso da questão irrespondível, quando o questionador só dá a opção do “sim” ou do “não” para a formulação da pergunta: “Você ainda bate em sua mãe?”. Se disser que sim, é um filho cruel, desumano, violento e criminoso. Se disser que não, está admitindo, mesmo por subentendimento, que um dia bateu.
Javier Milei, presidente da Argentina, não teve dúvidas, aceitou de imediato o convite, assim como o Rei Mohammed VI do Marrocos. O presidente francês, Emmanuel Macron, recusou. Fato curioso é que tal conselho não tem nenhuma autoridade palestina convidada a integrá-lo.
Nestor de Oliveira é Jornalista e Escritor



