II SEMINÁRIO DE CIÊNCIA CIDADÃ (por José Carlos Carvalho)

No mês passado, participei do II SEMINÁRIO DE CIÊNCIA CIDADÃ, em Aracruz/ES, como orador da abertura e painelista da Mesa [...]

No mês passado, participei do II SEMINÁRIO DE CIÊNCIA CIDADÃ, em Aracruz/ES, como orador da abertura e painelista da Mesa Temática 4: Da Prática à Política Pública, Experiência Pioneira na Bacia do Rio Doce; uma iniciativa da UNESCO realizada no âmbito do Acordo de Reparação do Rio Doce, com a finalidade de promover a divulgação da ciência, retirá-la do ambiente escolar e acadêmico, envolver as populações indígenas, tradicionais e as comunidades nas quais as escolas estão inseridas, visando democratizar o acesso ao conhecimento, dando aos cidadãos a oportunidade de perceber que a ciência pode estar no terreno da escola, no quintal da sua casa e, sobretudo no território onde vive e atua.

Um dos resultados mais expressivos do Projeto, conforme a metodologia adotada pela Unesco, em articulação com as autoridades e lideranças locais e regionais foi ENSINAR ciência fora da sala de aula, sobretudo, em escolas que não contam com laboratório de ciências e outros equipamentos pedagógicos que permitem aprender para além da teoria, que transmite informação e conhecimento, mas, sem exemplos que evidenciam e sustentam a base teórica do conteúdo transmitido.

Nesses casos, a maioria no interior do país, como aconteceu com as escolas selecionadas pelo Projeto, com o apoio da UNIVALE, o MELHOR LABORATÓRIO É A NATUREZA!

Uma coisa é aprender a organização das formigas numa sala de aula, outra, mais prazerosa e eficiente, é aprender o mesmo conteúdo dado em sala, ao redor de um formigueiro.

O mesmo pode ser dito sobre as abelhas, tendo uma aula prática num apiário ou numa colmeia hospedada em uma árvore. E, assim, com vários outros temas do mundo das ciências, demonstrando aos alunos e ao cidadão comum que o cotidiano humano está envolto por fenômenos naturais explicados pelas ciências ou pela fé.

Sem ciência não há tecnologias, sem tecnologias não há INOVAÇÕES e sem inovações, o progresso intelectual e material teria ficado estagnado na idade da pedra e nas cavernas. Sem fé, seja qual for a crença, as perspectivas sobre o futuro ganham uma dimensão exclusivamente imanente, desprovida da esperança proporcionada pela dimensão transcendente, que guarda os mistérios e os segredos da existência humana e dos demais seres vivos.

A prática, associada à SABEDORIA POPULAR, AO SABER TRADICIONAL, traz aos cidadãos adultos e jovens, a importância do TERRITÓRIO. O território não é apenas um local, um lugar, um endereço, um pedaço de terra. O território é a PAISAGEM, nas suas mais diversas configurações: o solo das planícies e das montanhas, os penhascos e os pontões rochosos da bacia, as florestas, as plantas, os bichos, as águas que nascem nos pequenos minadouros e alimentam os córregos, ribeirões e os rios e as PESSOAS com toda a sua diversidade e o pluralismo das ideias, que forjam a cultura e o tecido social da comunidade.

Nas palavras de Rui Barbosa, se referindo à Pátria, o território é o túmulo dos nossos antepassados e o berço dos nossos pósteros. A vida que se manifesta em nós, não começa no nosso nascimento, mas, com o nosso primeiro ancestral.

Daí, a importância da ancestralidade. Nós não existiríamos sem os nossos antepassados.

Por isso, ressaltando a importância da CIÊNCIA, o racionalismo tecnicista e o cientificismo, assim como o formalismo legal, não basta para prover a felicidade humana na sua plenitude.

José Carlos Carvalho é Engenheiro Florestal pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Doutor Honoris Causa pela Universidade e Lavras, Conselheiro do Instituto Inhotim e da Fundação do Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. Foi Ministro do Meio Ambiente e Secretário do Meio Ambiente de Minas Gerais. Autor.

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