
*Nota da Edição: FLASH BACK DO PASSADO-PRESENTE, OU AINDA, DE COMO PODEMOS SER SEMPRE IGUAIS
Artigo de Edson de Oliveira Nunes de 1 de dezembro de 2014
No final do filme “O Homem que Matou o Facínora”, de John Ford, há uma frase importante do jornalista: “aqui é o Oeste, quando a lenda se torna mais importante que o fato, publica-se a lenda”. Parece até provérbio de marketing moderno. Penso nisso por causa da nossa figura presidencial, que está ficando conhecida como pessoa de pavio curto, de maus modos, impolida e, também, de alguma mesquinhez sentimental. São muito os exemplos de grosseria com jornalistas, com ministros e assessores.
E no território da mesquinhez emocional (para não falar do descuido dos códigos e da liturgia política) desde quando o novo Ministro da Fazenda, bem como o do Planejamento e o Pres. do Banco Central são apresentados ao país por um assessor de imprensa e não pela figura presidencial, principalmente numa solenidade na qual o Ministro da Fazenda diz que o PSDB (nas entrelinhas) não estava tão errado, e que a Neca Setubal não era um grande problema, apenas estava no banco errado? E, de lambuja, parece que concluíram também que o Banco Central não rouba comida do prato das pessoas?
O Ministro da Fazenda nos mandou um Telegrama, o Telegrama do Levy, dizendo que a política econômica do país ia mudar, mas a signatária do telegrama não estava lá. Outra mesquinharia sentimental? Custava ter citado o nome do opositor derrotado no seu discurso de vitória de campanha? Custava? Outra mesquinharia? Entendo que prefira ser chamada de Presidenta, Mas EXIGIR que a chamem de Presidenta é um ato de pura mesquinhez e grosseria. Ou não é?
Voltando ao Homem que Matou o Facínora, que diz que, quando a lenda se torna mais importante que a realidade, publica-se a lenda, que memória de si nossa figura presidencial quer deixar? Qual será a sua lenda? Ou não se importa? Não sou de torcer contra governos, muito pelo contrário, nem sou de aderir a governos, também muito pelo contrário. Como técnico de governo, entre 1985 e 2011 trabalhei com as mais variadas aparições de salvadores da pátria, mas o desta senhora está desafiando todos os humores. Ainda assim, torço a favor.
Edson de Oliveira Nunes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Berkeley. Foi Presidente do IBGE, Presidente do Conselho Nacional de Educação. É Professor Emérito da Universidade Candido Mendes. Autor



