Em 1947, o explorador e etnógrafo norueguês Thor Heyerdahl liderou uma das mais conhecidas expedições marítimas do século XX. A bordo de uma jangada rudimentar construída com troncos de madeira balsa, ele e outros cinco tripulantes atravessaram o Oceano Pacífico, partindo do Peru em direção à Polinésia, em uma viagem que durou pouco mais de três meses.
A embarcação, batizada de Kon-Tiki, foi construída com técnicas simples e materiais naturais, sem motores ou instrumentos modernos de navegação. O objetivo da expedição não era estabelecer uma rota comercial nem realizar uma travessia esportiva, mas testar na prática a possibilidade de longas viagens oceânicas realizadas por civilizações antigas utilizando embarcações semelhantes.
O grupo deixou o porto de Callao, no Peru, em 28 de abril de 1947, e navegou impulsionado principalmente por correntes marítimas e ventos alísios. Após cerca de 101 dias no mar, a jangada encalhou em um atol do arquipélago de Tuamotu, na Polinésia Francesa. A distância percorrida ao longo da rota oceânica foi de aproximadamente 6.900 quilômetros, embora relatos populares frequentemente arredondem esse número para cerca de 8.000 quilômetros.
A expedição Kon-Tiki demonstrou de forma concreta que uma travessia transpacífica em uma embarcação simples era tecnicamente possível, contrariando a visão dominante da época, que considerava esse tipo de viagem inviável para povos antigos. No entanto, a hipótese central de Heyerdahl de que a Polinésia teria sido colonizada a partir da América do Sul não é hoje a explicação mais aceita pela comunidade científica, ela aponta origens principalmente asiáticas para os povos polinésios.
Apesar disso, a jornada teve grande impacto cultural e científico. O livro escrito por Heyerdahl sobre a expedição tornou-se um sucesso internacional, e o documentário filmado durante a viagem venceu o Oscar de Melhor Documentário em 1951. A Kon-Tiki permanece como um marco da chamada arqueologia experimental, área que busca testar hipóteses históricas por meio de experiências práticas.
Mais de sete décadas depois, a travessia continua sendo lembrada não como uma prova sobre a origem dos povos do Pacífico, mas como uma demonstração de que as limitações técnicas atribuídas às civilizações antigas podem ter sido subestimadas.



