
No início de dezembro passado, a CBF prometeu para as séries A e B do Brasileirão que se aproxima, a profissionalização de pelo menos 30 árbitros para as competições deste ano e chegar aos 60 em 2027.
Da promessa da CBF à ação pouco se sabe, mesmo porque quase nada se divulgou sobre o assunto, até agora. A realidade é que a Série A começa em poucos dias (27 próximo, uma quarta-feira) conforme o novo calendário do futebol brasileiro.
E entre os 10 jogos da primeira rodada, seis clássicos nacionais estão marcados: São Paulo x Flamengo, Botafogo x Cruzeiro, Atlético-MG x Palmeiras, Fluminense x Grêmio e Corinthians x Bahia.
Pergunta-se: será que o simples anúncio da profissionalização dos árbitros vai provocar a súbita magia de transformar nossos complicados (tecnicamente) juízes em ases do apito?
Há sérias dúvidas de que isto possa acontecer tão rapidamente, apesar das promessas (sempre elas…) da CBF de cursos e ações de capacitação dos juízes.
Embora existam dúvidas, a solução precisa ser encontrada para que tenha fim a crise permanente instalada na arbitragem brasileira no futebol. E que sempre explode em acusações reais de que os juízes, com suas más atuações, interferem no resultado final de partidas e até no desfecho das competições em termos de pontuação das equipes.
Apesar da tardia profissionalização dos árbitros, que se pretende implantar, é preciso reconhecer o enorme alcance técnico que a medida irá proporcionar a futebol brasileiro. Mas, seu exame só se tornou possível em função das duras e justas críticas a quase todos os árbitros que, em conivência com o despreparo (e também incompetência) do VAR, criaram sérios problemas e prejuízos para vários clubes na competição de 2025.
Para não nos alongarmos na questão dos estragos sofridos pelos clubes com as arbitragens ruins, vamos ficar aqui com um único exemplo de como o grave erro de um juiz pode influir até na classificação final de um campeonato.
Um dos mais clamorosos erros de arbitragem no Brasileirão/2025 ocorreu no jogo Sport 0 x 0 Fortaleza.
O atacante Pikachu, do Fortaleza, finalizou e a bola bateu no travessão e foi ao chão, claramente dentro do gol, cerca de 40cm além da linha de marcação da trave, como mostradas em farturas de imagens. Um gol comprovadamente perfeito.
E o que fez o árbitro Marcelo Candançan/Fifa/SP? Não deu o gol sob a alegação de que não houve “visão conclusiva” para confirmação do tento. Resultado: no encerramento do Brasileirão/2025 aqueles valiosos dois pontinhos que o juiz tirou do Fortaleza foram os que exatamente faltaram para o clube do Ceará fugir do rebaixamento e ficar na Série A.
Quem vai pagar o grande prejuízo que sofre o Forteleza por sua queda para a série B? Lamentavelmente, só o clube mesmo. Já o árbitro Candançan segue apitando numa boa, certamente à espera de ser agraciado com a profissionalização. Um tema que merece outra coluna.
Erasmo Angelo é Jornalista, formado em História e Geografia pela PUC/MG. Foi Redator e Colunista do Jornal Estado de Minas dos Diários Associados, e do Jornal dos Sports/Edição MG, cobrindo o futebol e esportes no Brasil e no Exterior, em Campeonatos Mundiais de Futebol e em Olimpíadas. Atuou destacadamente na TV e na Rádio, na TV Itacolomi, TV Alterosa, Rádio Itatiaia, Rádio Guarani e Rádio Mineira. Foi Presidente da ADEMG – Administração de Estádios do Estado de Minas Gerais, na administração do Mineirão e do Mineirinho. Foi Editor da Revista do Cruzeiro. Autor



