Previsões para 2026: Brasil e Pernambuco (por Adriano Oliveira)

Como de costume, trago as minhas previsões para o ano vindouro. A arte de prever não é adivinhação. A previsão é construída com base em [...]

Como de costume, trago as minhas previsões para o ano vindouro. A arte de prever não é adivinhação. A previsão é construída com base em pesquisas qualitativas e quantitativas, olhar atento para a conjuntura e a busca de relações de causa e efeito. Portanto, o que você lerá a seguir não representa chute. Cisnes negros, os quais são acasos, podem surgir e prejudicar as previsões.

1- O presidente Lula é favorito para vencer a eleição presidencial em razão de: 1) Terá no período eleitoral de razoável para boa avaliação; 2) Trouxe de volta os programas sociais, o controle da inflação e dialogou com Donald Trump. Lula se apresentará como líder nacional e internacional; 3) Divisão da oposição, tendo um candidato da família Bolsonaro, certamente Flávio Bolsonaro, o qual deverá estar no segundo turno; 4) Líderes, aparentemente sábios, como Ciro Nogueira e Antonio Rueda, fizeram leitura equivocada da eleição presidencial vindoura e insistiram em bolsonarizar Tarcísio de Freitas. O governador de São Paulo será candidato à reeleição, mas não como franco favorito, já que insistiu, também, em estar aliado às ideias bolsonaristas, como, por exemplo, a defesa das ações de Donald Trump contra as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos; 5) O bolsonarismo chegará em 2026 com rejeição consolidada e maior do que a do lulismo.

2- O sentimento detectado nas pesquisas qualitativas da Cenário Inteligência estará presente na eleição de 2026: “Entre Lula e um Bolsonaro, eu prefiro Lula”. Este tende a conduzir o líder do PT a novo sucesso eleitoral. Não desprezar algum escândalo de corrupção que venha a atingir o governo Lula. Se isto acontecer, o favoritismo do atual mandatário da República será enfraquecido.

3- Considerando as pesquisas qualitativas, o ambiente eleitoral de 2026 é fértil para um candidato “nenhum dos dois”, ou seja, que adote a estratégia “Nem Lula e nem Bolsonaro. O Brasil tem futuro”. Porém, como os políticos e muitos marketeiros só enxergam números, os quais dizem pouco, este tipo de candidato não será colocado na disputa eleitoral. Com isto, o presidente Lula será favorecido.

4- Algum ex-governador, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, será candidato à presidência da República. Contudo, Flávio Bolsonaro será mais competitivo do que os outros opositores ao governo Lula. O filho de Bolsonaro poderá diminuir um pouco a rejeição do bolsonarismo em virtude do seu estilo de ser: Leve, disposto ao diálogo e jovem. Mas será cobrado pela base bolsonaristas por posições genuinamente bolsonaristas.

5- PT e PL, em razão do lulismo e do bolsonarismo, respectivamente, farão grande número de deputados federais. O resultado de 2022 deverá ser repetido para ambas as agremiações. O PL será fortemente beneficiado com a candidatura de Flávio Bolsonaro. É estratégia ótima de Jair Bolsonaro e de Waldemar Costa Neto ter Flávio na disputa presidencial. Nas regiões Sul e Sudeste, o bolsonarismo deve eleger bom número de senadores. E no Norte e Nordeste, será a vez do lulismo de eleger competidores para a Câmara Alta.

6- O prefeito do Recife João Campos e a governadora Raquel Lyra farão uma eleição bastante disputada para o governo de Pernambuco. Contudo, com base em pesquisas qualitativas, afirmo, que no decorrer do próximo ano, a atual governadora adquirirá favoritismo. E caso não existe um terceiro candidato, em particular bolsonarista, a eleição poderá findar no primeiro turno. A estratégia de João Campos será “Eu sou a esperança de um Pernambuco melhor”. Já a de Raquel Lyra, “Muito trabalho em tão pouco tempo”. O presidente Lula deverá ficar neutro na disputa pernambucana, concentrando o seu apoio aos candidatos ao Senado que ele considera como fiéis, ou seja, que tenha histórico de apoio ao lulismo. 

7- Será erro estratégico da governadora Raquel Lyra apoiar um candidato à presidente da República contra o presidente Lula. Se isto acontecer, as chances de João Campos de vencer a eleição com o apoio exclusivo do lulismo se fortalece. Não desprezar a possibilidade de João Campos não ser candidato a governador em razão do crescimento da governadora Raquel Lyra nas pesquisas de intenção de voto e da ausência de apoio exclusivo do presidente Lula a sua candidatura.

Feliz 2026!

*Artigo originalmente publicado no Jornal do Commercio

Adriano Oliveira é Cientista Político. Professor da UFPE. Fundador da Cenário Inteligência: Pesquisa Qualitativa e Estratégia

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