Réveillon de Copacabana: como um ritual à beira-mar virou um megaevento global

Antes dos fogos e dos palcos, o Réveillon de Copacabana começou em silêncio. Na década de 1950, praticantes de religiões de matriz africana se reuniam na praia na virada do ano para lançar [...]

Antes dos fogos e dos palcos, o Réveillon de Copacabana começou em silêncio. Na década de 1950, praticantes de religiões de matriz africana se reuniam na praia na virada do ano para lançar flores brancas ao mar em homenagem a Iemanjá. Vestidos de branco, faziam pedidos e celebravam a chegada de um novo ciclo em um período marcado por intolerância religiosa.

O ritual, inicialmente restrito, atraiu curiosos. Católicos, espíritas e pessoas sem filiação religiosa passaram a pular sete ondas e fazer pedidos ao mar. Já nos anos 1950, jornais registravam incômodo com velas acesas na areia, um sinal de que a prática ganhava visibilidade.

A partir dos anos 1970, comerciantes e hotéis da orla perceberam o potencial turístico da celebração. Surgiram as primeiras queimas organizadas de fogos, e o Hotel Le Meridien eternizou a imagem da “cascata de fogos” em sua fachada, transformando a virada em espetáculo visual.

Nos anos 1990, a festa deu um salto definitivo. A inclusão de grandes shows e a presença de artistas internacionais consolidaram Copacabana como um dos maiores Réveillons do mundo. Após acidentes no início dos anos 2000, os fogos foram transferidos para balsas no mar, aumentando a segurança.

Hoje, o evento reúne cerca de dois milhões de pessoas. Com a expansão turística e comercial, porém, suas origens religiosas perderam centralidade. O que começou como prática de resistência transformou-se em um símbolo nacional, mantendo apenas vestígios do ritual original, como a entrega de flores ao mar.

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