Renovação ameaçada

Ao contrário do que ocorreu há dois anos, o Governo da Itália não bateu às portas do Itamaraty até o [...]

Ao contrário do que ocorreu há dois anos, o Governo da Itália não bateu às portas do Itamaraty até o momento, na tentativa de interceder a favor da Enel e evitar sanções severas ou a cassação de seu braço de distribuição em São Paulo. O silêncio diplomático dá uma ideia da proporção do desgaste a que chegou o embate entre a Enel, a Aneel, o Ministério de Minas e Energia, o Governo de São Paulo e a prefeitura paulista, depois do apagão da empresa no maior estado brasileiro, deixando sem eletricidade cerca de 1 milhão de pessoas na semana passada.

Vale lembrar que a Enel Distribuição SP responde por quase metade do faturamento do grupo no Brasil: cerca de R$ 43 bilhões em 2023. A operação brasileira significa 25%, aproximadamente, da receita total do grupo nas Américas e quase 10% da arrecadação global. Ou seja, a perda da concessão em São Paulo equivaleria a um grande tranco financeiro para a companhia, que tem o controle pulverizado, sendo o estado italiano o grande acionista individual, com 23,6% do capital.

A Enel tem agravante no Brasil. Praticamente levou cartão vermelho em Goiás, dado pelo governador Ronaldo Caiado, também por seguidas falhas no fornecimento de energia.

O ciclone em São Paulo e seus efeitos fizeram aumentar a pressão no Ceará, onde está sendo negociada a renovação da concessão no estado. Executivo e Legislativo têm insistido que uma nova licença precisa estar atrelada a um robusto plano de investimento. O Instituto de Pesquisa Estratégia Econômica do Ceará prevê uma alta do PIB local em 3,15%, este ano, portanto, superior à média nacional de 2,25%, de acordo com o Boletim Focus. E expansão de negócios significa aumento no consumo de energia.

Importante: em meio ao rebuliço em São Paulo, já se discute em Brasília a necessidade de formação de um grupo técnico para repensar o sistema regulatório do setor elétrico.

Compartilhe esse artigo: