COLUNA RONALDO HERDY

Mordomia com prazo indeterminado?

No meio da discussão sobre o fim da jornada 6×1, entre senadores no plenário, um assunto de outra natureza foi ouvido: a criação do cargo de senador vitalício para ex-presidentes da República.

A coincidência é curiosa. O tempo de trabalho para quem está na ativa em debate efervescente e um grupo de parlamentares se dedicando a pensar no destino institucional de quem já passou pelo Palácio do Planalto.

A ideia, registra-se, não nasceu agora. Na transição da ditadura para a Nova República, o assunto circulou nos corredores do poder. Francisco Dornelles, que comandou a Secretaria da Receita Federal entre 1979 e 1985 e assumiu o Ministério da Fazenda naquele ano, relatou que Tancredo Neves, seu tio, depois de eleito presidente, procurou João Baptista Figueiredo para manifestar apoio à criação do posto. O estudo teria ficado a cargo do jurista Cesar Saldanha.

O tempo passou, mas a proposta não morreu. Em 2002, voltou à conversa. Mas durou pouco. Fernando Henrique Cardoso, prestes a deixar o Palácio do Planalto, rechaçou a possibilidade de se transformar em senador biônico. Preferiu deixar a Presidência da República sem a extensão parlamentar que a proposta lhe oferecia.

A pergunta que fica é simples: a quem interessa agora criar uma cadeira eterna para quem já ocupou o maior posto do Executivo federal? Em Brasília, como se sabe, certas ideias nunca se aposentam. Ficam apenas à espera de uma nova legislatura – e de um plenário distraído.

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