COLUNA RONALDO HERDY

Página aberta

O livro acaba de levar um susto daqueles. Pela primeira vez em 25 anos de pesquisa, o número de brasileiros que se declaram “não leitores” superou o de “leitores”. O alerta vem do estudo “Retratos da Leitura”, organizado pelo Instituto Pró-Livro.

Para editores e gente do setor, não é apenas um número ruim. É um sinal amarelo piscando na sala de estar do país.

Um capítulo significativo da reação está previsto para setembro, quando representantes do mercado editorial promoverão uma série de encontros para discutir como virar essa página – e, de preferência, com final feliz.

O presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, resumiu bem o tamanho do problema: é preciso fazer o livro chegar às pessoas e criar condições para que seja lido por públicos diversos.

A receita, pelo menos no diagnóstico, já começa a aparecer. Incentivo à leitura não pode ficar restrito às grandes bibliotecas, livrarias e escolas. Entram no cardápio clubes de leitura, iniciativas comunitárias, projetos nas redes sociais etc.

A ideia é simples, embora a execução seja um senhor desafio: tirar o livro da estante, dos espaços tradicionais e levá-lo para onde as pessoas estão. Porque, se o brasileiro está deixando de ler, não basta lamentar. É preciso descobrir onde o livro perdeu o caminho – e buscá-lo de volta.

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