
Em dezembro de 2018, o francês Jean-Jacques Savin partiu das Ilhas Canárias dentro de uma cápsula em formato de barril que ele próprio construiu. Tinha cerca de 3 metros de comprimento e 2,10 metros de largura, feita de madeira compensada revestida com resina.
Não havia motor, vela ou remos. Savin seria levado pelas correntes do Atlântico.
Dentro do barril, o espaço era tão reduzido que praticamente tudo precisava ser calculado: havia lugar para dormir, cozinhar, armazenar alimentos e equipamentos de comunicação. Uma pequena janela permitia observar o oceano. Ele levou comida suficiente para meses e até reservou foie gras e vinho para o Ano-Novo, além de uma garrafa de Saint-Émilion para seu aniversário.
O que deveria durar cerca de três meses acabou levando 122 dias. Durante mais de quatro meses, Savin viveu sozinho naquele pequeno compartimento, à deriva no Atlântico, enfrentando ondas, mudanças de corrente e a monotonia de não saber exatamente onde o oceano o levaria.
Em abril de 2019, depois de mais de 5.000 quilômetros, chegou ao Caribe.
A aventura poderia ter terminado ali.
Mas não terminou.
Aos 75 anos, Savin decidiu atravessar o Atlântico novamente. Dessa vez, em um barco de 8 metros, remando sozinho.
Partiu de Sagres, Portugal, em janeiro de 2022. Poucos dias depois, acionou um sinal de emergência.
Quando as equipes de busca chegaram, encontraram o barco virado e vazio. Uma bolsa impermeável com seus documentos também foi localizada.
Jean-Jacques Savin não foi encontrado.
Seu corpo nunca foi recuperado e as circunstâncias exatas de seu desaparecimento permanecem desconhecidas.



