Enquanto boa parte da indústria brasileira se queixa da falta de investimentos e da concorrência internacional, a Usiminas pode estar prestes a embarcar em um dos projetos de infraestrutura mais estratégicos da Argentina.
A Techint, conglomerado ítalo-argentino que controla a siderúrgica mineira, avalia encomendar aqui, boa parte dos tubos de aço que serão utilizados na segunda fase do Gasoduto Nestor Kirchner, obra considerada fundamental para ampliar o transporte de gás natural produzido em Vaca Muerta, uma das maiores reservas não convencionais do mundo.
Se a proposta ao governo de Javier Milei for ratificada, parte relevante desse fornecimento poderá sair das Usina Intendente Câmara, em Ipatinga, ou da unidade de Cubatão, no litoral paulista. Traduzindo: aço brasileiro ajudando a mover a energia argentina.
A disputa pelo contrato está na reta final. E não se trata de um negócio qualquer. Além do valor financeiro, o projeto carrega um simbolismo importante para a indústria nacional. Em tempos de desindustrialização crônica, toda vez que uma usina brasileira consegue vender tecnologia e produção para grandes empreendimentos internacionais, ela faz mais do que exportar tubos. Exporta emprego, renda e capacidade industrial.



